A produção deste documentário contou com o apoio da Academia Brasileira de Letras.
Autor paraibano faleceu devido à complicações de um acidente vascular
cerebral hemorrágico. Conhecido por defender a cultura popular, Suassuna
teve uma renomada carreira como dramaturgo, romancista e poeta.
O escritor
Ariano Suassuna faleceu
no final da tarde desta quarta-feira (23) em Recife, Pernambuco. Ele
estava internado desde a noite de segunda-feira (21) no Real Hospital
Português para tratar de um acidente vascular cerebral hemorrágico que
havia sofrido. Após passar por uma cirurgia e entrar em coma, o autor
sofreu uma parada cardíaca e não resistiu.
Ariano Villar Suassuna nasceu no dia 16 de junho de 1927 em Nossa
Senhora das Neves, hoje João Pessoa. Ele era filho de João Suassuna, que
foi assassinado em 1930. A principal herança de João, que foi
governador da Paraíba entre 1924 e 1928, para Ariano foi sua vasta
biblioteca, onde o futuro autor iria iniciar sua formação literária.
Depois de viver na pequena cidade de Taperoá, Ariano se muda para o
Recife em 1937, onde passaria a ter mais contato com a arte que lhe
consagraria em vida.
Após publicar alguns poemas, Ariano assinou em 1947 sua primeira peça, chamada "
Uma mulher vestida de sol",
que chegou a ser premiada pelo Teatro Estudante de Pernambuco. Depois
de se formar em direito - carreira que logo viria a abandonar - em 1950,
o escritor finaliza mais duas peças: "Auto de João da Cruz" e "Torturas
de um coração". Entretanto, um de seus maiores trabalhos seria lançado
cinco anos depois. Trata-se de "O Auto da Compadecida", escrita em 1955 e
encenada pela primeira vez em 1956. A peça é uma comédia dramática
ambientada carregada de elementos da cultura nordestina e da
religiosidade católica que trazia o malandro João Grilo e o
covarde Chicó como personagens principais.
Em 1956, torna-se professor da Universidade Federal de Pernambuco,
onde viria a lecionar Teoria do Teatro, Estética e Literatura
Brasileira. Nesse mesmo ano foi publicado seu primeiro romance,
intitulado "A História de amor de Fernando e Isaura".
No ano de 1970, o escritor finalizou outra obra que ficaria marcada
para sempre como um dos maiores destaques de sua carreira, o livro "O
Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta", que é
amplamente apontado como sua obra-prima na literatura. Cordéis,
repentes e emboadas são citados como principais influências do livro.
Em 1990, Ariano é empossado como membro da Academia Brasileira de Letras, assumindo a cadeira de número 32.
O paraibano também foi Secretário de Cultura do Pernambuco por duas
ocasiões e também rodava o país com sua aula-espetáculo, onde falava
sobre a cultura brasileira e era por vezes acompanhado por artistas de
diversas vertentes. A última aula-espetáculo foi realizada em Garanhuns,
Recife, na última sexta-feira (25). Suassuna teve seis filhos e 15
netos.
Muitas de suas obras foram adaptadas para o cinema e televisão, sendo o filme
O Auto da Compadecida a mais marcante delas. Lançado no ano de 2000 com direção de
Guel Arraes, o filme trouxe atuações marcantes de
Matheus Nachtergaele como João Grilo e
Selton Mello como Chicó. Além disso, o restante do elenco trazia nomes de peso como
Fernanda Montenegro,
Marco Nanini e
Lima Duarte.
Mas não foi a única vez que essa obra de Suassuna foi levada para as
telas. A peça também virou filme em 1987, com o lançamento de
Os Trapalhões no Auto da Compadecida, estrelado pelo grupo liderado por
Renato Aragão.
A minissérie
A Pedra do Reino foi
exibida em 2007 na Rede Globo em comemoração ao aniversário de 80 anos
de Suassuna. Posteriormente, a atração foi exibida nos cinemas, seguindo
o mesmo caminho de
O Auto da Compadecida que também
chegou primeiro às telinhas para depois ser exibido nos cinemas. A
adaptação da minissérie foi feita por Luis Alberto de Abreu,
Bráulio Tavares e
Luiz Fernando Carvalho, que também incluiram elementos de outras obras de Suassuna, como as peças "O Santo e a Porca" e "Torturas de um Coração".
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